MAKING OFF de "DESMEMÓRIAS DO SR.D"
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Dança Conceitual - Dança das Idéias

Coisa mais estranha é ver muitos profissionais da dança confundir o nome de uma técnica de dança, com a designação de contemporaneidade. A Dança Contemporânea, não é a dança contemporânea, assim como a Dança Moderna, não é a mais moderna. As vezes sinto que é difícil para alguns profissionais assumirem que trabalham com algo que não faz parte da Vanguarda. Não digo ser impossível transformar a Dança Contemporânea em realmente contemporânea, mas para isso deverá existir, impreterivelmente, uma grande transformação. Também arrisco dizer que depois da Dança Contemporânea surgiu um novo tipo de técnica, filha direta da Arte Conceitual com a Dança Contemporânea. Lembrando que a “Arte Conceitual” com maiúsculas é também uma técnica, e não define a arte feita com conceito, afinal toda a arte, de todos os períodos, tem conceito.
Essa filha, por falta de nome melhor, vou chamar de Dança das Idéias. Alguns chamam de Dança Conceitual. É um nome que já deveria ter sido usado, mas não foi. Digo isso, pois em algum momento, assim com Duchamp, nas artes plásticas teve que chamar um penico de arte, apenas para mostrar que os limites da arte estão na capacidade criativa do artista, alguém na dança teve que ficar parado e dizer que aquilo era dança para provar o mesmo ponto. Quando um trabalho artístico existe apenas para testar os limites da arte, ou melhor, mostrar que esses limites não existem, e não necessita de técnica alguma, esse trabalho pertence a Arte Conceitual. Obviamente o conceito de Arte Conceitual foi deturpado após Duchamp, e seus colegas. E evidentemente a Dança Conceitual e a Arte Conceitual que vemos hoje, não são representações da verdadeira “Arte Conceitual”, pois não discutem o limite da arte.
Então, escolhi o nome Dança das Idéias, assim como gosto de chamar Arte das Idéias, seu equivalente nas artes plásticas. Esse nome me ocorreu, pois acredito que apesar de não discutir o limite da arte, a Dança das Idéias continua valorizando o conceito, e desvalorizando a técnica. O artista, não precisa saber nenhuma técnica específica, como Balé Clássico, Dança Contemporânea, Dança-Teatro, Contato Improvisação, Dança Moderna, Balé Moderno, New Dance, entre outras, ele só precisa ter uma idéia de um “conceito” a ser apresentado, e colocá-lo em prática. A performance então fica desprovida de técnica de dança, e passa a ser a demonstração de um conceito apenas, como esse conceito não está associado a dança, então vemos um resultado, onde não se discute nada sobre dança e onde ninguém dança. Afinal de contas, já sabemos que alguém parado pode estar dançando, que alguém fazendo movimentos repetitivos, ou minimalistas, pode estar dançando, agora se esses movimentos não são utilizados em uma dança, e nem estão ali para discutir a dança, eles são vazios de interesse para essa arte. (Diogo Granato)